o meu coração acelera desritmado, como se estivesse ainda tentando se entender. respiro fundo e devagar mais uma vez e me permito ser preenchida por calor e dormência. encontro teus olhos escuros quase pretos e meu coração finalmente se acalma. agora ele entendeu: felicidade é encontrar tua alma.

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Toda semana me pergunto como faço para te dizer que a língua que eu quero falar é a tua.

Não é português, espanhol ou qualquer idioma inventado. Quero apenas falar o idioma da tua boca, em silêncio. Te puxar para perto, sentir a tua respiração dançando com a minha. Acariciar tua nuca e teus cabelos longos enquanto eu percorro pelo teu pescoço e teus seios.

Assim eu fico, te vendo pela videochamada toda semana e me perguntando: como eu faço para te dizer que a língua que eu quero falar é a tua?

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escolho a camisa salmão
e ando pela feira de domingo
resisto ao ímpeto de te chamar
dessa vez almoço sozinha no gringo

na nossa banca favorita
me perguntam de você
sofrendo, sorrio e dou de ombros
como quem diz que não quer saber

na televisão pequena do mercadinho
aquele comercial que te fazia rir
com os olhos molhados
dou meia volta e me deixo seguir

em casa com os braços pesados
abraço a pitanga e suspiro ao perceber
que em tudo que eu faço
eu lembro de você

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sempre chega aquele momento. em que o peito começa a se mover mais devagar e o olhar perdido e entreaberto denuncia quem chegou. ou melhor: a vida que se foi.

e não é a vida física, essa que se vai embora nos coloca a sete palmos do chão. não, é a vida que traz o brilho no olho, a empolgação, a sociabilidade, a energia pra seguir.

costumo pensar que perder esse tipo de vida é pior do que perder a vida.

uma só se perde uma vez.

eu perco a minha duas vezes ao mês.

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O marrom dos teus olhos ainda me fazia tremer. Lembrei deles enquanto tentava me preparar para a reunião de de tarde. Eu poderia jurar que enxergava teus olhos brilhando se focasse por mais de um minuto no logo cor de madeira que baseava a identidade visual da minha apresentação. Tremi durante toda aquela hora, lembrando também de quando tu balançava teus cabelos castanhos só porque sabia que assim eu ia me apaixonar. Mas nada disso importava mais. Meu tempo de aproveitar tuas cores tinha se encerrado.

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